ÔNIBUS – Transporte coletivo volta à discussão


Nos últimos dias, o transporte coletivo no município voltou a ser discutido. Leitor entrou em contato no dia 12 já para reclamar da qualidade dos ônibus. Segundo ele, os veículos estavam sem freio, a campainha não funcionava e os motoristas corriam muito. No mesmo dia, o coletivo não entrou no bairro Areias.

As reclamações quanto ao transporte coletivo dentro da cidade não são de hoje. Para a servidora Maria Aparecida Camilo, 56, faltam horários para ir e vir do bairro Hugo de Almeida. “Não dá nem para vir à praia no final de semana, porque não tem ônibus para voltar”, reclama.

A qualidade de conservação dos veículos é questionada pela dona de casa Margarida dos Santos, 43. Também moradora do Hugo de Almeida, conta que sofreu com o ônibus que usava quebrando três vezes só neste início de ano. “Uma vez quebrou na sinaleira da farmácia municipal, outra em Machados e outra no calçamento de Porto Escalvados que vai para Hugo de Almeida”, revela.

Desde 2012, Navegantes está desprovido do transporte municipal. A concessão com a empresa Rainha venceu. A Viação Navegantes é do mesmo grupo empresarial e possui concessão para o transporte intermunicipal entre Barra Velha e Luís Alves. Mesmo as linhas intermunicipais, também não são motivo de elogios por parte dos passageiros.

Havia um horário de ônibus lá em Pedra de Amolar (Luís Alves), que vinha a Navegantes às 10h30. A linha foi cortada e restou apenas a das 8 horas. Marlene Francisco Mafra, 61, é vendedora. Ela começa a trabalhar em Navegantes às 13 horas. Usava o ônibus das 10h30. Agora, precisa perder toda manhã aguardando o horário de entrar no trabalho, utilizando a linha das 8 horas. “Tinha também uma linha no Barranco Alto que eles cortaram. Agora quem mora lá, vai até Pedra de Amolar de bicicleta para pegar o ônibus”, conta.

 


 

Estudo

O Sistema de Transporte Coletivo de Navegantes foi tema de uma reunião no gabinete do prefeito Emílio Vieira. Uma empresa especializada em mobilidade urbana foi contratada para atualizar os dados, apontar as demandas e elaborar o novo projeto que resultará na abertura de processo licitatório para a Concessão dos Serviços de Transporte Coletivo Urbano no município.

Conforme o prefeito Emílio Vieira, a licitação para a concessão desses serviços já se arrasta por quase oito anos devido a questões jurídicas e se tornou inviável insistir no mesmo edital diante de tantas defasagens e alterações. “Vamos fazer um novo estudo, mais atualizado e adequado à nova legislação, para que possa ser finalmente aprovado. Quem mais perde com essa demora é a comunidade, que deixa de ter um serviço com mais qualidade”, enfatiza o prefeito.

A previsão é que o estudo esteja concluído dentro do prazo de 90 dias, para que possa ser analisado pela população, entidades e também que seja encaminhado para conhecimento do Ministério Público, antes que seja feita a licitação. Uma comissão também está sendo formada para acompanhar todo o processo.

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Transporte. Usuários reclamam de horários, veículos e do terminal de passageiros

 

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Empresa afirma que estudos estavam errados

Na terça-feira (24), durante reunião da Acin, o gerente da Viação Navegantes, Célio Roberto Hostim, e o proprietário Guilherme Fachini Neto, fizeram uma apresentação onde afirmaram que os estudos feitos para as licitações de 2011, 13 e 14, estavam equivocados.

“O estudo feito em 2009 para lançamento de edital estava correto. Na época havia 69 mil passageiros/mês. Em 2011, a Alianza fez novo estudo e apontou 267 mil passageiros mês”, comenta Célio. Segundo levantamento feito pela empresa Viação Navegantes, a partir do sistema de cartões que acusa onde a pessoa embarcou e onde desceu, o transporte urbano dentro do município hoje representa cerca de 80 mil passageiros/mês.

O edital da época também exigia a construção de quatro terminais. Para Célio, com o sistema de bilhetagem eletrônica implantado pela Viação, tais terminais são desnecessários. “Se construir um terminal no Porto Escalvados, um no Machados, um na Leardini e um no Gravatá, quem vem de Porto Escalvados vai ter que trocar de ônibus duas vezes até chegar no Centro, e se descer no terminal da Leardini, iria ter que caminhar muito para chegar aos bancos e Prefeitura”, observa.

 

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Acin. Viação falou sobre transporte público na cidade

 

ENQUETE

 

Qual sua opinião sobre o transporte público na cidade?

 

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“Os ônibus atrasam muito. Moro em Escalvados e os horários são ruins para voltar e pela manhã. Saindo de lá só tem ônibus às 8 horas, que atrasa. O comércio abre às 9 horas e chegamos atrasados. Não tenho conseguido emprego por isso”.

Louise Berckembrock, 18 anos, desempregada

 

 

enquete-atalita“Moro no Hugo de Almeida e o horário de ônibus é horrível. Estudo o dia todo, saio da faculdade e ainda pego o ônibus sujo. Isso quando ele não quebra no meio do caminho. Se saio da faculdade à noite, às vezes tenho que esperar o ônibus das 22 horas”.

Atalita Bento Martins, 30, estudante

 

 

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“Precisa melhorar muito, principalmente nos horários de final de semana e feriados. Moro em Machados e trabalhei 2 anos em Balneário Camboriú. Chegava atrasada todo dia por conta do ônibus e descontavam do meu salário. Tive que pedir a conta”.

Áuria Ferreira de Oliveira, 43, auxiliar.

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