COMUNIDADE – Moradores do Monte Sião não querem sair do local


Monte Sião. Famílias de caratecas Taíne e Felipe estão preocupadas com reintegração de posse - Jean Knetschik/JN

Monte Sião. Famílias de caratecas Taíne e Felipe estão preocupadas com reintegração de posse – Jean Knetschik/JN

Há cerca de quatro anos, eles começaram a chegar ao final do bairro São Paulo. Pessoas de vários estados do país e até de cidades vizinhas. Sem conseguir um local adequado parar morar, compraram terrenos sem saber que se tratavam de outro proprietário e fundaram a comunidade Monte Sião, hoje Nova Canaã. O local faz parte de uma área de interesse da Infraero para ampliação do aeroporto. O proprietário legal quer as terras para a desapropriação.

Os moradores demonstraram preocupação ao descobrir que a justiça teria dado uma liminar para a retirada deles do local. Ata de reunião ocorrida em maio no judiciário vazou ao conhecimento da comunidade. “Nós sequer sabíamos desse processo”, reclama o presidente da associação de moradores local, Erivelson Jorge Carmo dos Santos. Ele mora na comunidade há dois anos.

Na cópia de documento que o Jornal de Navegantes teve acesso, consta data de 20 junho para uma ação coletiva do poder público e judiciário para a entrega das notificações aos moradores, informando sobre a necessidade de retirada espontânea até o dia 7 de julho. Posteriormente, será definida data para remoção de quem insistir em permanecer ali.

O processo, segundo o jornal apurou, corre em segredo de justiça.

Santos defende que a comunidade, ao contrário do que muitos afirma, não possui bandidos, mas muitas pessoas de bem. É o caso dos jovens esportistas Felipe Gabriel, 10, e Taíne Vitória, 15. Eles praticam caratê e já ganharam diversas medalhas em torneios importantes estaduais e nacionais. A comunidade conta com projetos sociais de capoeira e muay thai também. “Se nossas famílias forem retiradas daqui, para onde iremos”, questiona Santos. Conforme a associação, a comunidade possui hoje 800 famílias e cerca de 3 mil pessoas.

Jackson Charles Gomes de Miranda está em Navegantes há 12 anos. Ele lembra que quando chegou a cidade era movida pelo setor pesqueiro. Antes, morava no Centro. Há quase 3 anos se murou para o Monte Sião. “A maior parte não tem condições de pagar aluguel e há famílias que sobrevivem com doações”, conta.

Na segunda-feira, houve reunião com o prefeito em exercício Donizete da Silva. “Não vamos botar sonho na cabeça de ninguém. O município não tem terra nem projeto habitacional, mas vamos buscar”, garante o prefeito. Em 2011, a Prefeitura fez um levantamento das famílias que residem ali. “Inicialmente foi feito um acompanhamento, depois a equipe foi impedida de entrar”, observa.

Assim como ocorreu na Meia Praia, a Prefeitura foi convocada pela justiça para minimizar os impactos sociais do processo de reintegração de posse. Informações sobre ações da Prefeitura para auxiliar as famílias e um abrigo provisório serão levadas ao judiciário em nova reunião marcada para a primeira quinzena de junho. “Tão logo resolvamos os problemas de invasões na cidade queremos implantar um controle migratório para que quem venha, possa morar na cidade tendo qualidade de vida”, completa o prefeito.

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