MONTE SIÃO – Famílias protocolam defesa no processo da invasão


Dona Iraci. Ela saiu da invasão até o Fórum empurrada pelo marido na cadeira de rodas – Jean Knetschik/JN

Dona Iraci. Ela saiu da invasão até o Fórum empurrada pelo marido na cadeira de rodas – Jean Knetschik/JN

Na segunda-feira (12), moradores da área de invasão no bairro São Paulo estiveram em frente ao fórum. Eles estiveram ali para protocolar a defesa deles no processo que visa a reintegração de posse por parte do proprietário dos terrenos invadidos há alguns anos.

Presidente da associação de moradores local, Erivelson Jorge Carmo dos Santos, explicou que a presença dos cerca de 500 moradores em frente à sede do judiciário local foi para mostrar ao juiz a situação das famílias que vivem lá. “Não viemos aqui para tumultuar, mas para que o juiz visse que são famílias de bem que moram lá, as quais teriam que escolher entre pagar aluguel ou comprar comida”, comenta.

É o caso do casal Iraci Santos Nascimento, 53, e Milton, 69 anos. Eles vieram para Navegantes há 14 anos, do oeste do estado. Quando cuidava da mãe, passava horas sentada ao lado da cama. O frio da região fez com que ela perdesse parte do óleo da coluna. Para sair de casa, necessita de uma cadeira de rodas e não consegue trabalhar. O marido também sofreu um acidente de caminhão e possui problema na visão e audição do lado direito, além da coluna, o que o impossibilita de trabalhar. Em casa, cuida da esposa. O casal sobrevive com a pensão da mãe de Iraci. “Recebo R$ 700 e se eu pagar aluguel falta pra comida e pros remédios”, conta.

Segundo informações Erivelson, a liminar que datava o início do prazo de 30 dias para as pessoas saírem a partir de terça-feira (20) foi suspensa. Na segunda-feira ocorreria uma reunião com órgãos públicos e judiciário para definir ações no caso de reintegração de posse da área invadida. A mesma foi cancelada sexta-feira após telefonema da Procuradoria informando que o município não conseguiu cumprir a deliberação para locação de alojamento temporário das famílias da área invadida. “Referida providência é imprescindível para o cumprimento do mandado e pressuposto para a realização da segunda reunião”, escreve o juiz Daniel Lazzarin Coutinho numa das últimas atualizações do processo. Para o dia 20, está marcada uma visita ao local para delimitar as áreas invadidas particulares, das públicas e notificar os moradores que ainda não receberam o comunicado judicial oficialmente. O presidente da associação ainda reitera. “No processo, consta que o valor do terreno é de R$ 900 mil, não queremos nada de graça e se precisar, cada família contribui para comprarmos. Não defendemos simplesmente ficar ali, mas queremos moradia”, explica.

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