TRAGÉDIA

Amigos de Gabriel farão passeata no sábado à tarde

Por Jornal de Navegantes 24/11/2017 - 10:47 hs
Foto: Divulgação/JN

Amigos do adolescente Gabriel do Carmo Moreira, 15, organizam uma passeata para a tarde deste sábado (25). A caminhada sairá da lavação existente na rua onde Gabriel morava, no bairro Gravatá, e seguirá até o cemitério onde o menino foi sepultado no final de semana.

Familiares do menino não confirmaram participação. A missa de sétimo dia pela memória de Gabriel será realizada domingo (26), na igreja Santa Paulina. Gabriel foi morto após confronto com dois policiais militares no dia 17.

O adolescente havia brigado com a família e saiu de casa. Quando voltava para a residência dos pais, estava armado com uma faca. Ele foi abordado pelos policiais na rua. Eles pediram para o garoto largar a faca, mas não foram atendidos. Depois de efetuar disparos com balas de borracha e ainda assim não ter surtido efeito, atiraram com munição letal e atingiram o pescoço de Gabriel, levando-o a óbito. O pai do menino, segundo informações, tem se mostrado bastante abalado por ter sido ele a acionar a PM e, 13 minutos depois, ter ficado sabendo da morte do filho.

Segundo a advogada da família, Marina Mortiz, o rapaz teria dito que não tinha medo dos policiais antes de levar os tiros de munição não-letal. Marina conta também que o Ministério Público abriu investigação para apurar a conduta dos policiais. Em paralelo, a Polícia Civil abriu inquérito para apurar a morte do garoto. Ele não tinha passagem pela polícia e não tinha problemas mentais, como foi ventilado nas redes sociais. “Ele apenas tomava remédios para epilepsia”, destaca.

A família vai processar a polícia e o estado. Os irmãos da vítima, de 10 e 13 anos, assistiram ao conflito e à morte do portão de casa. Eles já foram encaminhados para tratamento psicológico.

"Ele, como qualquer adolescente, após o almoço da família, quis logo sair de casa, acompanhar a namorada até a escola, em razão disso começou a discussão familiar. A faca ele pegou na rua. Um estabelecimento próximo à casa da família. Nesse meio tempo o pai chamou a polícia porque queria que ajudassem no diálogo com o Gabriel para acalmar o adolescente, o que eles não estavam conseguindo", disse a advogada. Ela destacou ainda que se tratava de um adolescente normal, que participava da vida da comunidade, era coroinha da igreja e um bom aluno.

Os dois policiais envolvidos na ocorrência que resultou na morte de Gabriel foram afastados do trabalho de rua. Um dos policiais estava afastado desde sexta-feira para tratamento psicológico. Na terça-feira (21), voltou ao trabalho, mas no setor administrativo. Eles se manterão fora das ruas durante o inquérito policial militar que apura o caso. O procedimento tem prazo de 40 dias para ser concluído.

 

De acordo com o comando, foram disparados seis tiros de pistola para baixo, para fazer o adolescente largar a faca. Diante da negativa do garoto de recuar, um tiro acertou o pescoço do adolescente. Vídeo gravado por uma moradora mostra que um dos policiais diz ter agido em legítima defesa, para não ser esfaqueado e que teria dois filhos para criar. A PM divulgou nota manifestando profundo pesar e que os policiais obedeceram os protocolos de uso progressivo da força. “O uso da força letal é o último recurso a ser adotado e decorre sempre diante de situações de grave ameaça à vida do policial ou de terceiros”, traz a nota assinada pelo major Evandro Fior da Cruz.