MORADIA – Homem tem casa derrubada na quarta


Moradia. Prefeitura cumpriu determinação da justiça e demoliu casa de madeira na quarta – Jean Knetschik/JN

Moradia. Prefeitura cumpriu determinação da justiça e demoliu casa de madeira na quarta – Jean Knetschik/JN

Jeferson Sócrates residia em uma casa de madeira ao lado da casa da mãe em um terreno atrás do quartel do Corpo de Bombeiros Militar. Na tarde de quarta-feira, cumprindo uma decisão judicial, a Prefeitura derrubou a residência, mesmo sob protestos da mãe de Jeferson, Dalva Maria Sócrates, 59.

Ela entrou na justiça solicitando a área de 2 mil metros quadrados em 2011. A justiça lhe cedeu uma área total de 1.034 m2. A casa do filho, estava construída fora desse montante, em local pertence à União. Segundo o advogado da família, Luiz Gonzaga Florenço Júnior, a decisão saiu em setembro. “Conseguimos ainda um ganho de 2 metros, pois a justiça queria deixar apenas 1 metro na entrada do terreno e ampliamos para 3 metros”, conta.

Dona Dalva reclama que o advogado anterior nunca a avisou das audiências e que foi enganada para assinar papéis desistindo do restante do terreno. A decisão judicial é federal, assinada pelo juiz federal substituto Erico Sanches Ferreira dos Santos.

A sentença saiu em março de 2014 e houve apelação. Nova apelação ocorreu em 28 de agosto do mesmo ano e nova alegação em 2015. Foi decretado um prazo para que a casa fosse desmanchada, do contrário, o juiz determinou que a Prefeitura, detentora de maquinário apropriado, deveria auxiliar na retirada do imóvel.

Dalva mora no local desde 1942. A Polícia Militar compareceu para garantir o cumprimento da ordem judicial. Uma das filhas de Dalva disse que processaria um dos policiais por tê-la chamado de louca e reclamava que o maquinário da Prefeitura invadia o terreno da mãe para derrubar a casa de Jeferson, pois não deram permissão para ficar no terreno que agora pertencia à mãe legalmente. Como Jeferson sequer retirou os pertences de dentro de casa, os servidores foram instruídos a retirar móveis e eletrodomésticos e depositá-los na calçada de Dona Dalva.

Uma advogada da Prefeitura acompanhou a ação no local. “Decisão judicial não se discute, cumpre-se”, disse. O advogado da família contou estar no local para evitar que Dalva fosse detida, caso interferisse no trabalho de derrubada do imóvel. Sob os protestos da mãe, Jeferson viu a casa de madeira que construiu ser derrubada pelo maquinário. “Não quero mais ficar nesta cidade, deixe que derrubem”, lamentou.

Leave a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *