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Navegantes,21/04/2026

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A importância do querer…

A importância do querer…

Olá, leitores! Nesta matéria, proponho uma reflexão sobre um ponto decisivo quando falamos em adoção de animais domésticos: o verdadeiro querer. Antes de tudo, é preciso lembrar que animais não são objetos à nossa disposição; são seres sencientes, capazes de amar e de estabelecer vínculos afetivos profundos.

No último fim de semana, presenciei uma situação que me causou grande inquietação. Enquanto estava em uma loja acompanhada do Toquinho — um pequeno shih-tzu resgatado e adotado pela minha família —, alguns atendentes se encantavam com sua presença, comentando o quanto ele era “fofinho” e “bonitinho”. Em meio à conversa, um deles mencionou que tinha um cachorro em casa e que estava pensando em sacrificá-lo.

Imediatamente, questionei: “Não faça isso, por quê?”. A resposta foi direta: o animal estava muito velho e “começaria a incomodar”. A reação não foi apenas minha; outras pessoas presentes também demonstraram incômodo e reprovaram o comentário.

A partir desse episódio, é possível extrair algumas reflexões. A primeira diz respeito ao fato de Toquinho ser um animal de raça, o que naturalmente desperta reações de encantamento. Essa mesma comoção, infelizmente, não se estende à maioria dos animais disponíveis para adoção. Muitos são escolhidos pela aparência e, com o tempo, acabam sendo negligenciados. Vale lembrar que Toquinho, quando foi resgatado, estava debilitado, sem pelos, com carrapatos, escondido sob um deck de praia e tomado pelo medo. O cuidado e o afeto transformaram sua condição — como fariam com qualquer ser, humano ou não humano.

Outro ponto fundamental é compreender que a adoção deve ser uma decisão compartilhada por toda a família. Daí a relevância do “querer”: querer de forma consciente, responsável e duradoura. Quando esse compromisso não existe, o resultado pode ser o abandono, os maus-tratos, a negligência e a indiferença — situações incompatíveis com a dignidade dos animais, cuja proteção encontra respaldo inclusive na Constituição Federal.

E quanto ao cachorro mencionado pelo atendente? Trata-se de mais uma vítima da falta de preparo e de empatia. Animais também envelhecem e, nessa fase, demandam ainda mais cuidado, atenção e respeito. Após anos de convivência e confiança, não é admissível que sejam descartados por conveniência.

Nesse contexto, é inevitável mencionar a eutanásia — tema sensível e que exige responsabilidade. Não se trata de uma prática a ser banalizada. Sua eventual adoção deve ocorrer apenas em situações extremas, de sofrimento irreversível, sempre pautada por critérios éticos e técnicos. Evidentemente, não era o caso narrado.

Adotar um animal é assumir um compromisso que deve perdurar por toda a sua vida. Por isso, ao adotar, queira — queira de forma genuína, consciente e até o fim. Os vínculos construídos são duradouros e marcados por afeto e memória.

Não compre. Adote com responsabilidade e consciência.

Animastê!

Ana Selma Moreira

Doutora em Ciência Jurídica

Advogada, professora universitária e ativista na causa animal



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