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Navegantes,28/03/2026

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Cefir atinge menor fila de espera em quase 20 anos e se torna referência

Integração entre Saúde e Esporte cria porta de saída para fisioterapia e alivia pressão sobre o sistema público de reabilitação.


Cefir atinge menor fila de espera em quase 20 anos e se torna referência


O Centro de Fisioterapia e Reabilitação de Navegantes (Cefir) registra a menor fila de espera para pacientes crônicos em quase duas décadas de funcionamento — aproximadamente 10 vezes abaixo do registrado em anos anteriores.

O resultado, considerado histórico pela gestão municipal, é atribuído à integração entre a Secretaria de Saúde e a Fundação Municipal de Esporte (FME), por meio do projeto Navega Movi, que criou uma estrutura capaz de dar continuidade ao cuidado após a alta da fisioterapia, reduzindo o retorno de pacientes à fila e liberando vagas para novos atendimentos.

O Cefir atende diariamente mais de 210 pacientes, em todas as especialidades da fisioterapia, para toda a população de Navegantes. A unidade é apontada como a de fila mais controlada da região da Foz do Rio Itajaí (Amfri), competindo com grandes planos de saúde privados do litoral norte do estado. Hoje, casos agudos, como pacientes com fratura recente ou AVC, são atendidos em até duas semanas.

Pacientes crônicos

Desde 2009, os pacientes crônicos sempre foram os maiores usuários da fisioterapia pública em Navegantes. Por anos, a fila dessa população chegou a ser cinco vezes maior do que a de pacientes agudos. “Pacientes crônicos são aqueles que apresentam condições de saúde de longa duração, geralmente progressivas ou permanentes, como dores articulares, sequelas neurológicas e doenças musculoesqueléticas, e que exigem acompanhamento contínuo, não apenas tratamento pontual”, explica Aline Vieira, gerente de reabilitação e responsável técnica pelo Cefir.

O problema central identificado pela gestão era estrutural: após completar o ciclo de fisioterapia e receber alta, o paciente crônico não tinha para onde ir. “Sem suporte para manter os ganhos funcionais obtidos no tratamento, ele tendia a regredir com o tempo e voltava à fila do Cefir. O ciclo se repetia indefinidamente, congestionando o sistema e impedindo o acesso de novos pacientes”, detalha Aline.

Integração

A resposta veio com a criação de polos de encaminhamento da saúde dentro da Fundação Municipal de Esporte, iniciativa que ganhou forma no Navega Movi. O modelo funciona como um fluxo fechado entre as duas pastas: o fisioterapeuta do Cefir, ao identificar a estabilização do quadro do paciente, encaminha o caso para uma das modalidades do projeto, como o pós-fisioterapia ou o programa Braços do Bem, voltado especialmente a pacientes crônicos e neurológicos.

“No pós-fisioterapia, o paciente, agora aluno, é avaliado por um profissional de educação física do Navega Movi e inicia um programa de treinamento que pode variar de cinco a vinte aulas, conforme seu quadro clínico. O trabalho envolve mobilidade, estabilidade, controle motor e início do treinamento de força. Ao término, o aluno é encaminhado para outras atividades, como musculação, funcional ou pilates”, explica a assessora estratégica do Navega Movi, Daiane Nascimento.

No Braços do Bem, o objetivo principal é dar sequência ao tratamento após a alta fisioterapêutica, especialmente de pacientes neurológicos, evitando regressões e promovendo mais autonomia e qualidade de vida. Após atingir seu potencial máximo no Cefir, o paciente recebe alta, mas necessita manter uma rotina regular de atividades físicas. É aí que o Braços do Bem entra, assumindo esse papel e oferecendo exercícios orientados por profissionais do Navega Movi, que receberam treinamento específico dos fisioterapeutas do Cefir.

O sistema também prevê a chamada contrarreferência: o profissional de educação física registra a evolução do aluno e devolve essa informação ao fisioterapeuta, que atualiza o prontuário do paciente. Quando o paciente retorna à Unidade Básica de Saúde (UBS), o médico tem acesso ao histórico completo do que foi feito na etapa de atividade física. 

Para o secretário de Saúde, Pablo Sebastian Velho, esse modelo de integração raramente é visto na rede pública, mas é essencial para o sucesso do tratamento a longo prazo dos atendidos.

“Ao garantir que o paciente crônico tenha onde continuar se exercitando após a fisioterapia, a tendência de piora e reentrada na fila diminui de forma significativa. Hoje, menos de 5% dos pacientes retornam ao Cefir após a alta, o que reforça o êxito dessa integração”, afirma. 

O superintendente de Esporte, Ricardo Echelmeier, também ressalta a importância desse trabalho intersetorial. “A conexão entre Saúde e Esporte produziu um modelo que não apenas trata, mas previne recaídas e novas incapacidades, ampliando o acesso e a eficiência do sistema de reabilitação como um todo”, conclui Ricardo.



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