Osmari de Castilho Ribas destaca investimentos, novos equipamentos e desafios para ampliar a operação
Jornal de Navegantes
A Portonave está concluindo um ciclo de investimentos de cerca de R$ 2 bilhões para ampliar sua capacidade e preparar o terminal para receber navios maiores. Em entrevista ao Jornal de Navegantes, o diretor-superintendente administrativo, Osmari de Castilho Ribas, falou sobre a importância da Portonave para a economia, os investimentos em andamento, os desafios logísticos e os projetos voltados à comunidade.
Importância econômica
Segundo Osmari, a Portonave responde hoje por cerca de 37% das cargas de importação e exportação movimentadas em Santa Catarina e por aproximadamente 10% da movimentação brasileira. O terminal ocupa a quarta posição entre os terminais de contêineres do país.
Até julho deste ano, a movimentação havia crescido 21% em relação ao mesmo período de 2025. No ano passado, foram movimentados cerca de 1,1 milhão de TEUs.
O diretor também destaca o impacto na geração de empregos. A Portonave conta com aproximadamente 1.400 profissionais diretos e estima outros 5.500 empregos indiretos. Nas obras de ampliação e adequação do berço, cerca de 1.800 profissionais trabalham diretamente. Segundo ele, a atividade também representa perto de 50% do ISS arrecadado em Navegantes.
Terminal ampliado
O investimento de aproximadamente R$ 2 bilhões começou em 2024 e está próximo da conclusão. A principal obra é a adequação do berço e do cais para receber navios de até 400 metros, com profundidade de até 17 metros. A previsão é concluir essa etapa até o fim deste ano.
Além das obras, foram adquiridos novos equipamentos. A Portonave já recebeu 14 RTGs, dois scanners e está recebendo outros equipamentos para ampliar a capacidade da operação.
Também foram comprados 30 terminal tractors, caminhões usados na movimentação interna, com chegada prevista para janeiro do próximo ano. O terminal ainda receberá novos ship-to-shore, guindastes de cais preparados para operar navios de até 400 metros.
Para Osmari, a nova estrutura permitirá aumentar a produtividade e acompanhar a demanda dos próximos anos.
Acessos preocupam
Osmari aponta os acessos como um dos principais desafios para o crescimento da atividade portuária. A BR-470, importante ligação com o Oeste de Santa Catarina, está em processo de concessão. Já a BR-101 apresenta gargalos que, segundo ele, podem afetar o transporte de cargas.
Outro ponto é o canal de acesso ao complexo portuário. Mesmo com a estrutura preparada para navios de até 400 metros, atualmente há limitações para embarcações com mais de 350 metros.
A expectativa é que a concessão do canal avance ainda neste ano. Entre as melhorias estão a conclusão da segunda etapa da bacia de evolução, a recuperação e reurbanização do molhe de Navegantes e o aprofundamento do canal para até 16 metros.
Segundo o diretor, essas melhorias permitiriam a entrada de navios maiores, aumentando a produtividade e reduzindo custos para a cadeia logística.
Operação e sustentabilidade
A eficiência é outro destaque apontado por Osmari. Em 2025, a Portonave registrou 114 movimentos por hora de navio, índice que, segundo ele, foi o melhor desempenho do Brasil. O atendimento aos caminhões também ocorre em menos de 30 minutos entre a chegada ao terminal, a operação e a saída.
Na área ambiental, a Portonave já eletrificou os guindastes de pátio e os novos equipamentos também são elétricos. A nova frota de terminal tractors seguirá o mesmo modelo.
O cais também está sendo preparado para fornecer energia elétrica aos navios atracados. A empresa mantém ainda a campanha Lixo Zero, com novas metas previstas para os próximos anos.
Projetos sociais
O Instituto Portonave também atua em projetos sociais. Segundo Osmari, cerca de R$ 12 milhões foram destinados no ano passado a projetos incentivados e ações com aporte direto.
Entre as iniciativas está o projeto Nadar, desenvolvido em parceria com o Instituto Cielo, que levou a primeira piscina para Navegantes e mantém atividades gratuitas para a comunidade.
A Portonave também desenvolve um projeto de português para migrantes, buscando facilitar a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho.
Futuro de Navegantes
Para Osmari, o crescimento da Portonave deve continuar acompanhado pelo desenvolvimento do município. Ele destaca a geração de empregos, renda e a chegada de empresas ligadas à cadeia logística como reflexos da atividade portuária.
O diretor também cita a evolução econômica de Navegantes, que passou da 23ª para a 14ª posição entre os maiores PIBs de Santa Catarina. A expectativa, segundo ele, é que a cidade chegue ao grupo dos dez maiores PIBs do Estado nos próximos anos.
A perspectiva é de continuidade dos investimentos e de uma relação cada vez mais próxima entre o crescimento da Portonave e o desenvolvimento de Navegantes.

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