“Pior do que bicho” ... por que dizemos isso?
Olá leitoras e leitores!
Nesta semana eu estava em sala de aula, quando acadêmicos apresentavam uma atividade sobre alguns presídios brasileiros. Ao mencionar o relato de um preso, ressaltaram a frase: “Eles nos tratam pior do que bicho”. Aproveitei a oportunidade, após a apresentação, para discorrer sobre essa expressão tão popular.
No contexto do trabalho dos alunos, os presos estavam em celas superlotadas, com condições indignas, comendo arroz em sacolas plásticas e dormindo em meio a fezes e água suja. É, infelizmente isso existe e não é em outro país, acontece aqui mesmo no Brasil. Mas, quanto à expressão, o um dos presos mencionou que era tratado pior do que bicho e aí está o cerne da questão: Como tratamos os bichos?
A partir daí podemos verificar que os animais sempre foram subjugados e maltratados pelos humanos, tanto que surge a expressão, deixando claro que há uma balança invisível em que se põe o humano de um lado e o não humano do outro. O que falta entender é: ambos possuem direitos!
Não é porque o direito humano foi violado que o direito do animal deve ser mais violado; não é porque o animal tem direitos que o humano deve deixar de tê-los. Não podemos ver as coisas deste jeito. A balança invisível é fruto de uma cultura injusta com os animais, pois o humano sempre os tratou com desprezo, aprisionando em zoológicos várias espécies, usando os animais para todos os tipos de regalo, seja para alimento, entretenimento, vestuário e até mesmo para a indústria cosmética.
Somos seres que amamos pet, mas vendemos macacos, araras, acabamos com a biodiversidade e ainda queremos solucionar crises climáticas com saneamento básico. Só assim podemos entender o que fazemos com os animais, o quanto somos injustos com eles e é por estas e outras que a expressão “tratados pior do que bicho” fez sentido.
Como somos seres em constante evolução e é pela educação que transformamos vidas, convido a todos para refletir e extirpar a expressão que retrata tamanha injustiça. Vamos tratar animais com dignidade e entender que humanos e não humanos têm direitos, um não precisa perder para que o outro ganhe, não é disputa.
Tratemos melhor o bicho e o humano também!
Espero ter contribuído para seus conhecimentos.
Animastê!
Ana Selma Moreira
Doutora em Ciência Jurídica
Advogada, professora universitária e ativista na causa animal

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